“Esse principio do arco e flecha consiste em aprendermos a dizer não à falta de autenticidade, dizer não à indiferença e à brutalidade, dizer não ao adormecimento. Para dizer não corretamente, é preciso tanto o arco como a flecha. É necessário fazê-lo com sensibilidade – o arco- e com agudeza -a flecha. Unindo os dois, percebemos -nos realmente capazes de fazer uma distinção: podemos discriminar entre apenas gozar da vida e valorizá-la. Somos capazes de olhar o mundo e ver como realmente as coisa funcionam. Podemos então superar o mito – nosso próprio mito – de que não conseguimos dizer não […] a nós mesmos quando nos sentimos atraídos pela depressão ou pela autocomplacência […]

Quando aprendemos a vencer a tentação, a flecha do intelecto e o arco da ação podem se manifestar como confiança no mundo, o que desenvolve mais o espírito de curiosidade. Passamos a querer olhar e examinar cada situação, para não enganarmos a nós mesmos remetendo-nos somente às nossas convicções. Queremos, ao invés disso, descobrir pessoalmente a realidade, através da inteligência e da capacidade que nós mesmos possuímos. A sensação de confiança significa que, ao usar o espírito da curiosidade, ao examinar uma situação, sabemos que vamos obter uma resposta clara. Se damos o passo para realizar algo, essa ação terá um resultado -seja fracasso ou êxito. Quando disparamos a flecha, erramos ou acertamos o alvo. Confiar é saber que haverá uma mensagem.”

Chögyam Trungpa, Shambahala – A trilha sagrada do guerreiro

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