Reiki para pacientes de um hospital – Os desafios de Plínio Cutait, coordenador do Núcleo de Cuidados Integrativos do Sírio-Libanês

 

É meio-dia de uma sexta-feira e cerca de 40 pessoas reúnem-se em uma sala do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para saber mais sobre reiki. Quem fala é Plínio Cutait, coordenador do Núcleo de Cuidados Integrativos do hospital e membro da associação internacional de mestres da prática de imposição de mãos The Reiki Alliance.

Aberta ao público, essa reunião científica realiza-se sempre na primeira sexta-feira do mês. “Temos grande interesse em explorar e aprofundar nossa compreensão sobre temas ligados à saúde integral”, comenta Cutait. “É com esse espírito que estamos falando de assuntos como yoga, reiki, meditação. Dessa forma, torna-se possível trazer essas práticas para dentro do hospital, estamos aqui há cinco anos e meio. O desafio maior é renovar ou enriquecer os paradigmas estabelecidos.”

É possível trazer essas práticas para dentro do hospital, estamos aqui já há cinco anos e meio. O desafio maior é renovar ou enriquecer os paradigmas estabelecidos.

Para a plateia formada por colaboradores e profissionais de saúde do Sírio-Libanês e de outras instituições, além de leigos interessados pelo tema, Cutait explica que a história do reiki tem cerca de cem anos. Ela se inicia com Mikao Usui, o primeiro de uma linhagem de mestres na qual a transmissão de conhecimento é sempre oral.

“Numa tradição oral, a pessoa que ensina e a que aprende devem estar presentes. O que acontece entre elas é misterioso. Há uma comunicação entre professor e aluno que vai além da transmissão de informações assimiláveis intelectualmente. Enquanto o conhecimento transmitido de forma escrita é, em geral, complexo e estruturado, numa tradição oral ele é simples e misterioso, dois grandes desafios para nós, ocidentais.”

 

 Desafio

A palavra desafio será repetida algumas vezes durante a palestra, já que o reiki está  distante de ser um procedimento protocolar no universo da prática médica. “Reiki quer dizer energia vital universal. Apesar de muitos esforços – principalmente por parte de ocidentais – o reiki continua sendo uma prática que mal compreendemos”, prossegue Plínio Cutait.

“Quando eu me aplico reiki, um fluxo de energia vital universal vem para mim. Quando eu faço reiki em outra pessoa, essa energia chega a ela através de mim. Não estou dando a ela o meu ‘ki’, a minha energia vital, e não recebo o ‘ki’ dela. Há dias em que atendo oito a dez pessoas doentes. Se eu absorvesse a energia delas ou elas absorvessem a minha, como eu chegaria em casa?”

     Energia

“No reiki, não fazemos diagnóstico ou prognóstico. Quando os médicos me pedem para entrar num caso, procuro falar na linguagem deles, para que possamos nos compreender e trabalhar juntos. Num ambiente mais convencional de saúde, a palavra energia precisa ser usada com atenção, porque estamos nos referindo a algo subjetivo e que ainda não pode ser identificado diretamente pela metodologia científica vigente e por nossos laboratórios ocidentais.

No âmbito da medicina, da biologia, a palavra energia é um elemento ligado a um processo bioquímico que acontece na mitocôndria, organela celular, chamado de Ciclo de Krebs. Talvez isso mude no futuro. No momento, ainda que não se comprove diretamente a existência dessa energia, há muitas pesquisas que investigam os efeitos dela na saúde, no bem-estar e na qualidade de vida.”

Parceria com os médicos

O Sírio-Libanês oferece reiki aos pacientes por meio do Núcleo de Cuidados Integrativos, coordenado por Plínio Cutait. Ele explica que aplica reiki em pacientes depois de um pedido direto dos médicos, por encaminhamento de outros profissionais ou mesmo de amigos e familiares do paciente. Nesses casos, o médico é sempre comunicado sobre a conduta, que será registrada no prontuário do paciente.

Compreendemos que os paradigmas de um hospital como o Sírio-Libanês são muito diferentes, e se queremos contribuir para um enriquecimento dos serviços nesse hospital e para um cuidado humanizado, temos que conhecer e respeitar o que já existe lá, e ter paciência para que os profissionais possam também conhecer e confiar no que oferecemos.

“O Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, o Hospital Israelita Albert Einstein, o Sistema Único de Saúde (SUS) e incontáveis hospitais no Brasil e no mundo também oferecem reiki”, explica Cutait, “em sua maioria informalmente”.

“No Sírio, atendemos de forma ambulatorial, no quarto do paciente, na UTI, no box de quiomioterapia, em programas de apoio para profissionais de saúde, em parceria com outros serviços médicos do hospital etc. Espero que no futuro possamos também oferecer atendimento em domicílio para pacientes e familiares depois da alta hospitalar.

Procuramos oferecer o que temos da forma mais gentil possível. Compreendemos que os paradigmas de um hospital como o Sírio-Libanês são muito diferentes, e se queremos contribuir para um enriquecimento dos serviços nesse hospital e para um cuidado humanizado, temos que conhecer e respeitar o que já existe lá, e ter paciência para que os profissionais possam também conhecer e confiar no que oferecemos. Para isso, é fundamental a gentileza, o respeito e muito rigor profissional. Estamos aprendendo, dos dois lados, desmontando preconceitos e ideias equivocadas. É vagaroso”, finaliza o médico.

Relaxamento

“Entre os médicos, há quem queira conhecer um pouco sobre o que fazemos, outros vêm o assunto com condescendência ou com alguma resistência e alguns querem interagir. Isso é o que queremos”, explica Cutait. “Eu não diria que o médico é cético. Às vezes, ele não sabe como falar conosco, não temos ainda uma linguagem muito clara entre nós. Estamos aprendendo, dos dois lados, desmontando preconceitos e ideias equivocadas. É vagaroso…

O yoga também é muitas vezes tratado como mera técnica antiestresse, e não uma prática milenar que nos leva em uma grande jornada de desenvolvimenjto pessoal e espiritual. O mesmo acontece com o reiki, que pode ser reduzido a uma técnica de relaxamento, quando seu potencial em termos de cuidado e fortalecimento é ilimitado.

Estamos acrescentando a nossa contribuição ao trabalho das gerações que nos precederam. Não há nada de novo nisso tudo, só um passo a mais na história.”

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